Vendem-se bibliotecas: estratégias de marketing cultural utilizadas pelas bibliotecas públicas do RS

JOB, Rejane Cristina . Vendem-se bibliotecas: estratégias de marketing cultural utilizadas pelas bibliotecas públicas do RS. Em Questão, Porto Alegre, v. 10, n. 2, p. 449-465, jul./dez. 2004. Artigo baseado no Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), intitulado Estratégias de Marketing & as Interfaces da Cultura: uso das leis de Incentivo a Cultura nas bibliotecas públicas do RS, apresentado ao Curso de Biblioteconomia da Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da UFRGS, sob orientação da Profa. Dra. Ana Maria Dalla Zen. Disponível em: <http://www.seer.ufrgs.br/index.php/EmQuestao/article/view/107>. Acesso em: 18 out. 2009.

“[ . . . ] a pesquisa que originou esta reflexão foi realizada a fim de verificar de que maneira as bibliotecas públicas do Rio Grande do Sul estão aplicando estratégias de marketing cultural para realização de suas atividades. Como referência, esse diagnóstico centrou-se na análise dos projetos culturais que, no período de 2003 a 2004 utilizaram as leis de incentivo à cultura nas esferas federal, estadual ou municipal, uma vez que são eles os suportes financeiros dos planos de marketing cultural mais comumente aplicados.” (p. 450-451)

- Biblioteca: geração e fruição de cultura; concorrência com novos espaços e tecnologias
- A quantidade de usuários depende da imagem que a biblioteca tem junto à comunidade (imagem favorável)

“[ . . . ] cultura compreende o conjunto de códigos e de significados que identificam a ordem simbólica vigente entre determinados grupos.” (p. 451)
- Cultura [identidade, associação e circulação de idéias] + Marketing [definição de idéias para satisfazer alguém ou uma organização; melhorar relacionamentos]→ Biblioteca Pública

- Marketing cultural: criatividade e inovação, produzir formas de comunicação novas e originais; usar da cultura como veículo de divulgação; patrocínio (apoio institucional com fim publicitário) e mecenato (apoio desinteressado); negócio de benefício comercial; “[ . . . ] utilização sinérgica com outras ferramentas de comunicação [ . . . ]” (p. 454)
- Para bibliotecas: captar, preservar e divulgar os bens culturais da comunidade (não somente os eruditos); alternativa à cultura comercializada/indústria cultural

- Lei de Incentivo à Cultura (LIC): recursos financeiros captados junto a pessoas físicas e jurídicas; permite a dedução de tributos fiscais nos âmbitos federal, estadual e municipal
- Exige qualidade, clareza e relevância social
- Lei Estadual (RS) n. 10.846, 19 ago. 1996: Sistema Estadual de Financiamento e Incentivo às Atividades Culturais: a) doação (proíbe a divulgação comercial do incentivo); b) patrocínio (exploração comercial do incentivo; e investimento); abatimento sobre o ICMS, 75% (25% de outras fontes)
- Lei Federal n. 8.313, 23 dez. 1991: princípios da Lei n. 7.505 (2 jul. 1986); Programa Nacional de Apoio à Cultura/PRONAC; Lei Rouanet: abatimento do Imposto de Renda; 100% no caso de doações de acervos, treinamento de pessoal e aquisição de equipamentos para bibliotecas públicas

→ Rio Grande do Sul
- Associação Rio-Grandense de Bibliotecários/ARB
– Projeto Pró-Biblioteca: 1999-2001, 2001-2004, + terceira versão posterior; captação de recurso privado para desenvolvimento de coleções (200 títulos)
– Projeto Pró-Leitura (ARG+SEBP-RS+Clube dos Editores): 2002-?; objetivo: 54mil livros; aplicação de adesivo com a logomarca da empresa privada, banners, matérias jornalísticas
- Sistema de Bibliotecas Públicas do Estado do Rio Grande do Sul/SEBP-RS (poucas bibliotecas públicas são administradas por bibliotecários)
– Nova sede para a Biblioteca Lígia Meurer: em um dos prédios do Shopping Total;
- Biblioteca Municipal Olavo Bilac/São Leopoldo (projeto elaborado pelo Departamento de Cultura do Município)
– Projeto do Centro de Cultura José Pedro Boéssio de São Leopoldo: 2000-?; reestruturação da biblioteca pública e do auditório; uso de verba pública para manter o projeto; prazo estendido até 2004

“[ . . . ] inexistência de projetos culturais de bibliotecas públicas com o objetivo de divulgar valores próprios da cultura onde a biblioteca se insere. Se eles surgissem, será que a própria comunidade não os reconheceria? E considerando-os importantes para preservar a identidade local, será que não os patrocinariam em larga escala?” (p. 463)

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